Um dos aspectos menos comentados — e mais trabalhosos na prática — da Reforma Tributária é que ela não substitui os documentos fiscais de uma hora para outra. Durante o período de convivência entre o sistema atual e o novo, notas fiscais eletrônicas precisarão carregar informações de ambos os modelos tributários simultaneamente.
Dois conjuntos de informações no mesmo documento
Isso significa que uma nota fiscal emitida durante a transição deve trazer, ao mesmo tempo, os campos e cálculos relativos a ICMS, ISS, PIS e Cofins (nas proporções ainda vigentes) e os campos relativos a IBS e CBS (nas proporções que já entraram em vigor naquele momento do cronograma). O documento fiscal se torna, por alguns anos, mais complexo do que era antes e do que será depois.
Por que isso aumenta o risco de erro
Quanto mais informação um documento fiscal carrega, mais pontos de falha existem: parametrização incorreta de um dos dois sistemas pode gerar nota rejeitada, cálculo divergente ou inconsistência entre o valor cobrado do cliente e o valor efetivamente devido. Esse é um período em que a revisão cuidadosa de parametrizações fiscais compensa mais do que nunca.
Como se preparar para esse período
Vale garantir que o sistema de emissão utilizado — pelo escritório ou pelo cliente — está sendo atualizado no ritmo das mudanças de layout definidas pelos ambientes fiscais oficiais, e reservar tempo, a cada mudança relevante, para conferir uma amostra de notas emitidas antes de assumir que tudo está correto em produção.
A convivência entre os dois sistemas é temporária, mas dura o suficiente para justificar atenção redobrada — não é um ajuste pontual, é uma nova realidade operacional por vários anos consecutivos.